domingo, 21 de agosto de 2016

Jogo do bem querer

Tarde caindo bem devagar, ali embaixo daquela árvore, espera aquele que  uma menina prometeu  ver e buscar.
Ela aguarda sentada, as vezes olha para o sol que parte sem pressa, as vezes uma folha cai aqui e ali, mas não fica, pois a brisa se encarrega de levar...
Perto há uma canteiro de margaridas, estende a mão pega uma enquanto espera faz um bem me quer mal me quer... mas não te coragem se chegar ao final e alterando, sorri com marotagem e vai falando a cada momento mais alto
- Bem me quer
- Bem me quer 
- Bem me quer sim?
De súbito por trás da árvore ouve 
- Estátua.
Obedece de imediato e sorri gargalhando
-Assim não vale.
Ela imóvel, ele de pronto se achega e observa enquanto se aproxima e pode usufruir da obediência, 
o que vê não é a menina que aprendeu a ver, mas sente a mulher que sempre desejara em tantas que já tivera,não encontrara, mas ali diante de si é o que vê... cabelos ao longo, pele em brilho, corpo...
Agora ele é que paralisado se mantém,
Ela por sua vez segue a brincadeira ainda  com a margarida desfolhada na mão..
Papai posso ir? Batatinha frita um dois três.
E se vira se pondo de frente pra ele...
Surpresos deixam os olhos irem ao encontro um do outro.
A respiração de um é o ar que o outro exalou.
 Perto bem perto, ela põe  a  margarida na mão dele.
-Diz você, bem me quer ou me quer não?
Lentamente voltando a mover-se, leva as mãos a cintura que apesar do vestido de saia rodada e longa
o tecido leve deixara transparecer o que por baixo tenta  escondido se manter,
As mãos dele na cintura pousam e repousam, mas antes  joga longe a margarida e responde.
-Bem querer,  sim, você é meu bem querer...
As mãos dela pousam em seu peito que quase arrebenta de tão rápido bater.
-Sinto você.
Ele subindo as mãos até onde a roupa já não ousa esconder
-Ouço e ouso querer.
A essa altura ele era o menino, ela a mulher que abusava de seu poder de tudo que podia ser e querer.
Um ao outro se achega, as bocas uma na outra se deixam perder.
Nada  existe além desse querer.
Já noite,  noite de lua cheia,  não mais em um tudo já se fez e se desfez...
As  roupas num canto deixadas... silêncio imperando até que desperta dela um grito o faz tremer
-Bem querer, meu bem querer!
Gargalham a uma só voz, de mãos dadas mergulham na boca da noite que aos amantes se encarrega de guardar e proteger...

Catiaho Reflexo d'Alma entre delírios e delírios 00:37 0801011