domingo, 24 de julho de 2016

Perder-se pra só depois encontrar-se...

É a vida... pensa enquanto olha pro nada.
De que valeu toda uma vida de abnegação, de dedicação se agora só porque  chegara sua hora de acontecer, decidira que era sua vez.
Que estupidez de vida foi essa?
Tão pouco por tanto.
Mas  sabem o que aconteceu? Vou contar-lhes...
Maria ou sei lá que nome a chamem, porque talvez nem nome tenha tido de fato... mas o fato é que de nada fez questão por toda vida.
Teve tão pouco a vida toda que depois que lhe deixaram quieta, passou achar que a vida era assim e de fato isso era sossego e paz.
Só que a deixavam quieta porque na verdade na verdade... não se deve mexer com quem trabalha direitinho!
Eis uma coisa que foi bem treinada: Obedecer  e calada.
Mas  acontece que todo movimento cessa uma hora e todo barulho silencia em algum momento.
Foi assim que a casa foi  ficando arrumada sozinha e a arrumação durava mais, tudo foi acontecendo até que  puft!
O silêncio de fora se juntou ao silêncio de dentro e aí foi que tudo começou a des andar. 
Quem junto  ficara, foi barulho com outros fazer... 
Pra não ficar ociosa arrumou o que fora fazer, foi ajudar a outros que ainda barulho muito tinham a fazer. Ajudou aqui, ali até que resolveu ensinar essa coisa de barulho dentro com o de fora se misturar e juntos em brincadeira de roda espalhando acontecer.
Foi nesse tempo que viu  que em casa falta não  ia fazer... pois  os que fora foram juntos  barulho fazer, passaram na sua ausência juntos tempo passar... tentaram  chamar atenção, tentaram pedir mais imaginação. Mas ela, puxa já tinha muito mais la fora a fazer...
Agora ela tem seus barulhos, seus silêncios, suas cirandas e até novo amor conseguiu em si deixar
 nascer...
Sentiu-se mais forte, mais efervescente.
Na verdade só mais gente pôs a se deixar ver.
Nessa noite  ela celebra  a grande descoberta que acabara de fazer...
Nunca  foi de fato escolhida, nem mesmo respeitada enquanto durou a lida. 
Apenas não era o que a deixavam fazer.
Agora que tem suas coisas, seu tempo, sua própria canção, percebe que tola fora sua vida, tentando necessária se fazer.
Agora quase num rito de passagem tem a certeza que a qualquer momento pode fazer a despedida.
 Sairá pela porta sem aviso, primeiro pra cuidar de sua vida, nesse tempo ainda vai e volta.
Mas sente que um dia só vai...
Em frente e o melhor é que sabe que não vai nem por um segundo se arrepender...
Melhor mesmo perder-se pra só depois encontrar-se.
CatiahoAlc.
02:52 1410011